Há 10 anos atrás, a Editora Abril, então detentora dos direitos da maior parte dos heróis Marvel e DC, reformulou sua linha de revistas para atender a um público mais exigente que vivia reclamando dos famigerados “formatinhos” (que, segundo eles, acabava com a arte das edições originais americanas por conta do tamanho menor das páginas). A editora congregou os mais de 10 títulos que publicava na época em apenas cinco: Homem-Aranha, X-Men, Grandes Heróis Marvel, Superman e Batman.
A novidade estava na qualidade do material: formato americano, capa dura plastificada, papel de luxo, 160 páginas mensais e lombada quadrada. Foi uma mudança radical no mercado de quadrinhos que a Abril chegou a comparar com “a sensação que as pessoas tiveram pela primeira vez que viram filmes em Cinemascope ou quando viram os efeitos especiais da saga Star Wars”.
Com essa inquestionável qualidade, o custo das revistas subiu assustadoramente para os padrões da época (de R$ 3,50, passou a custar R$ 9,90) e, apesar de reduzirem o número de títulos, tornou inviável o investimento para leitores de poder aquisitivo mais baixo. As chamadas edições “Super-Heróis Premium” só tiveram aceitação entre os colecionadores e fracassou em poucos meses.
Dez anos depois, percebemos que o mercado não estava preparado para uma revolução tão radical. Hoje, as revistas encadernadas já encontraram seu público pelas mãos da Panini. No entanto, a editora soube trabalhar melhor essa questão atendendo ao público com poder aquisitivo mais alto mas sem deixar de lado os leitores eventuais, que chegam na banca e compram edições avulsas.
E há publicações para todos os gostos. Desde as mais simples, com mais páginas e borda quadrada, mas o mesmo padrão de qualidade das revistas normais – e, por isso, preço mais acessível – como as luxuosas, com capa dura, papel de luxo, que mais se assemelham a um livro do que uma revista em quadrinhos, como no caso das “Bibliotecas Históricas”.
Alguns fãs de quadrinhos até preferem deixar de acompanhar as grandes sagas nas revistas de linha para comprá-las completas em edições de luxo, mesmo que sejam mais caras. É um nicho que também surgiu com esses novos tempos. E agora, com a geração Internet, logo surgirão também os quadrinhos virtuais. Nos Estados Unidos já é uma realidade. Aqui, não deve tardar a chegar, uma vez que os Ipads já estão à venda. É mais um público que as editoras devem estar de olho.
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