
O Brasil e o Oscar
Esta semana foi notícia em todos os meios de comunicação a “derrota” (de novo!) do Brasil na pré-seleção dos filmes que concorrerão para o Oscar 2010 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Nosso país indicou “Salve Geral”, de Sérgio Rezende, mas não passou pelo crivo da academia, que escolheu nove filmes para, na próxima terça, dia 2 de fevereiro, anunciar quais serão os cinco concorrentes.
Na lista dos nove filmes estão: “O Segredo de seus olhos” (Argentina), “A Teta Assustada” (Hã?!?) (Peru), “Sansão e Dalila” (Austrália), “A Fita Branca” (Alemanha), “Kelin” (Cazaquistão), “O Profeta” (França), “Ajami” (Israel), “Winter in Wartime” (Holanda) e “The World is big and salvation lurks around the corner” (Bulgária) – estes últimos, sem título em português.
Obviamente, qualquer brasileiro que ame seu país, torce pela sua participação em todos os setores, principalmente numa festa tão importante quanto o Oscar, com visibilidade mundial. Mas verdade seja dita: será que o País não tem nada melhor para apresentar lá fora além de criminalidade e pobreza? Para quem não sabe, “Salve Geral” é um filme que tem como pano de fundo o ataque do PCC, em 2006, o mesmo que fez São Paulo literalmente parar e ficar totalmente deserta.
Em 2008, foi cogitada a participação de “Tropa de Elite”, mas este foi substituído por “O ano em que meus pais saíram de férias”. Bom filme, mas não menos violento: os pais do título na verdade não saem de férias, mas são mortos pelos militares durante a repressão nos anos 1970. Em 2004, mais uma indicação furada: “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, concorreu com quatro indicações: diretor, roteiro, edição e filme estrangeiro.
As outras participações do Brasil não foram diferentes. Em 1963, concorreu com “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte. Trinta e três anos depois, concorreu com “O Quatrilho”, de Fábio Barreto. Mais dois anos e “O que é isso, companheiro?”, dirigido por Bruno Barreto entrou na disputa. Por fim, em 1999 “Central do Brasil” recebeu duas indicações: filme estrangeiro e atriz para Fernanda Montenegro.
Em todas essas produções, percebe-se a exaltação da pobreza e da violência como fios condutores da trama. E é assim em 90% das produções nacionais. É essa a imagem que queremos que os estrangeiros tenham do Brasil? A “realidade brasileira” não é feita apenas de favelas e criminalidade, mas também de inúmeras belezas naturais, culturas diversas que convivem em harmonia e – porque não dizer? – do heroísmo de muitos brasileiros que trabalham honestamente. Histórias para contar, são muitas, sem precisar mascarar a realidade.
O cinema nacional ainda tem muito o que aprender com os americanos. Em seus filmes, eles são sempre os heróis, os desbravadores infalíveis e o país é aquele que, em nome de todo o planeta, realiza tudo. Não precisamos tanto. Mas, certamente, é preciso aprender a valorizar o que o Brasil tem de bom. Enquanto isso não acontece, fiquemos com nossas novelas.
Veja mais sobre cinema nacional no site: http://www.adorocinemabrasileiro.com.br
As maiores bilheterias do Brasil no último final de semana (23 e 24/01)
1º - Alvin e os Esquilos 2 (3)
2º - Avatar (6)
3º - Sherlock Holmes (3)
4º - Amor sem Escalas (estreia)
5º - O Fada do Dente (estreia)
6º - Xuxa e o mistério da Feiurinha (4)
7º - Lula, o Filho do Brasil (5)
8º - Astro Boy (estreia)
9º - Encontro de casais (40
10º - A Princesa e o Sapo (6)
* Os números entre parênteses referem-se aos finais de semana em que o filme está em cartaz.
Fonte: Sind. dos Distr. do Rio de Janeiro.
Contatos: 4allmagazine@gmail.com